“A imprensa diz que tenho 18 álbuns, mas tenho 22”, observa Marina Lima ao comentar sobre o trabalho mais recente de sua carreira: Ópera Grunkie. Parte das celebrações de seus 70 anos, completados em setembro, o disco nasce de um período intenso vivido pela cantora desde o lançamento do álbum anterior, há oito anos. Entre os acontecimentos que marcam o novo trabalho está a perda de seu irmão e parceiro musical, o poeta, compositor e filósofo Antonio Cicero. Em 2024, diante do declínio cognitivo provocado pelo Alzheimer, ele decidiu realizar um procedimento de suicídio assistido na Suíça, onde a prática é legalizada.
Em entrevista à Cult, por videochamada, Marina conta que recebeu um telefonema de Cicero – diretamente da Suíça, dois dias antes do procedimento –, comunicando sua decisão. A irmã foi a única pessoa da família com quem ele falou naquele momento, embora tenha enviado cartas de despedida a pessoas que definiu como “os amigos mais íntimos”. “Espero ter vivido com dignidade e espero morrer com dignidade”, escreveu o poeta.
Segundo Marina, foi uma escolha pensada com cuidado: “Cicero foi para lá porque achava que, para ele, tinha dado. Não era um ato de desespero.”. Ao recordar a despedida, a cantora afirma que, embora tenha ficado – ela, sim – desesperada diante da perspectiva de perder a última pessoa de sua família, compreendeu sua decisão. “Somos irmãos na vida e na arte”, ela reafirma o vínculo entre ambos.
Para Marina, a decisão de Cicero também contribuiu para ampliar o debate público sobre a morte assistida no Brasil, especialmente devido a sua projeção como poeta e membro da Academia Brasileira de Letras. A própria cantora passou a integrar a organização Eu Decido, que defende a legalização da prática no país.

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