Òǹkọ̀wé: a história do Brasil em Um defeito de cor
Escrever sobre esta obra talvez seja um dos meus maiores desafios. Dada sua profundidade, complexidade e beleza, as palavras chegam a faltar para defini-la em algumas poucas linhas. Mais do que apresentar a obra de Ana Maria Gonçalves, este texto é um convite à sua leitura, a descobrir um Brasil contado pela narrativa de uma mulher negra que foi arrancada de sua terra, viveu as mais diversas violências, mas nunca permitiu ser dobrada pelo açoite, pelas condições degradantes de vida, pela tentativa de apagamento de sua história, de sua fé e de sua cultura.
Meu primeiro acesso a ‘Um defeito de cor’ se deu em 2020, no início da pandemia, quando qualquer coisa parecia incapaz de suspender aquele cenário caótico e amedrontador. Superando todas as minhas expectativas, a obra se apresentou para mim não somente como uma narrativa da trajetória de Kehinde, inspirada na vida de Luísa Mahin, mãe do poeta e advogado Luiz Gama (o que descobri apenas depois, quando, instigada pela leitura, busquei saber mais sobre o livro e sua construção histórica).
Mas o fato é que Um defeito de cor me contou sobre a história do Brasil: as raízes de uma sociedade…

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