Até tu, Zé Gotinha? | Brasil de Fato
Durante décadas, Zé Gotinha foi um raro exemplo de unanimidade nacional. Num país onde até fila de padaria gera debate ideológico, ele era aceito por todos: esquerda, direita, centro e até por aquele tiozão que só acredita em corrente de WhatsApp.
Zé Gotinha não falava. Não precisava. Ele apenas aparecia, sorria e pingava. Era um argumento líquido e certo.
Até que começou a mudar.
Tudo começou quando decidiu acompanhar política. Primeiro como espectador, depois como comentarista e, finalmente, como alguém que escreve “minha humilde opinião” antes de dizer algo nada modesto.
Foi nesse momento que ele apoiou a candidatura errada.
Nada para se estranhar. No Brasil, apoiar candidato tosco está virando quase um esporte. O esquisito foi o efeito colateral. Em poucos dias, Zé Gotinha começou a desconfiar de vacinas.
Sim. A gota.
Contra.
Vacina.
É como se o despertador começasse a defender o sono.
– Precisamos discutir isso aí – disse Zé Gotinha, num vídeo com iluminação ruim e opinião pior.
Ninguém levou a sério no início. Afinal, todos sabem que as redes sociais têm esse poder de transformar…

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