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Mensagem de Páscoa 2024 do bispo de Vila Real

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«Proclamar a vida, renovar a esperança»

Foto: António Carvalho

A Páscoa celebra o acontecimento central do cristianismo, aquele que provocou um maior impacto na história. A ressurreição de Jesus, o Nazareno morto numa cruz nos arredores de Jerusalém, constitui a pedra basilar da fé cristã. A notícia da sua ressurreição ao terceiro dia, proclamada por algumas mulheres e pelo grupo dos discípulos, espalhou-se pela cidade e por toda a Judeia. Mais tarde, com São Paulo e seus companheiros de missão, este anúncio propagou-se à Ásia Menor, à Grécia e posteriormente à Europa e ao mundo. Desejaria que a boa nova da ressurreição de Jesus, proclamada nesta Páscoa, causasse o mesmo  entusiasmo em todos os corações e o mesmo sobressalto de novidade que o mundo está a precisar.

A celebração anual desta festa concentra-nos no essencial da fé cristã. Em cada Páscoa somos convidados a proclamar com renovada alegria que Jesus ressuscitou e está vivo no meio de nós. Os efeitos dessa presença não cessam de se manifestar no quotidiano da vida da Igreja e de cada cristão. Pelo seu  Espírito, Ele  continua a habitar o coração de cada batizado e a manifestar a sua salvação nos sinais sacramentais que confiou à sua Igreja. A vida nova nascida na Páscoa de Cristo chegou até nós e seria desejável que as suas consequências se tornassem mais manifestas na vida do mundo.

Páscoa significa, antes de mais, passagem da morte à vida, início de um tempo novo. Este anúncio de vida precisa de ecoar neste mundo em que se ampliam os sinais de morte, provocada por armas cada vez mais sofisticadas e letais, pela fome e pela doença que afetam populações inteiras, por doenças ou por cataclismos, estes em resultado, no todo ou em parte, de alterações climáticas a que a ação humana não é alheia. Neste contexto, o anúncio pascal ressoa hoje como apelo à paz, desafio à solidariedade, compromisso com a defesa da vida e dignidade humanas. Celebrar a Páscoa é reafirmar a convicção de que é possível e urgente outro caminho que promova a vida mais plena para cada um e para todos.

Na celebração pascal experimentamos e acolhemos a plena liberdade alcançada na ressurreição de Jesus. Ele libertou-nos do mal e do pecado, de todas as formas de prisão, alienação ou condicionamento. A fé é um ato de liberdade. Ratificada no batismo, faz-nos filhos de Deus verdadeiramente livres. A valorização e a promoção da liberdade está na raiz do ser cristão, constitui uma causa da qual não somos dispensados.

A modernidade fez da liberdade uma das suas grandes bandeiras. Da liberdade de consciência às liberdades cívicas registaram-se muitos avanços apesar de começarmos a assistir, mais recentemente, a alguns retrocessos. Temos verificado, com preocupação, o crescimento de regimes autoritários e de poderes pouco escrutinados, o alargamento da teia da burocracia e de formas de controle dos cidadãos, sem esquecer o atropelo aos seus direitos básicos. Fiel ao espírito pascal, o cristão tem apreço e compromisso para com a liberdade. A liberdade entendida no seu sentido mais pleno, aquela que se fundamenta na verdade e dignifica a pessoa. Essa liberdade exige atenção constante e empenho permanente, não podendo ser alienada a nenhum preço ou comprometida por qualquer razão.

A vivência pascal convida-nos ainda a fazer um caminho novo, inspirado nos discípulos de Emaús. Após o  encontro com o Ressuscitado  eles abandonaram o caminho de regresso ao passado, da resignação, da desilusão e da tristeza. Voltaram à comunidade dos discípulos para testemunharem com entusiasmo a sua descoberta do Senhor e o seu reconhecimento ao partir do pão.  A celebração da Páscoa deve suscitar em cada cristão a mesma atitude de redescoberta da comunidade cristã e o forte desejo de caminhar juntos, com todos e com Cristo que se faz vivo e presente quando dois ou três se reúnem em seu nome. Apelo a que caminhemos juntos, partindo o pão da eucaristia e partilhando o pão com os irmãos mais pobres, com os imigrantes, os doentes e os que vivem sós.

Nesta Páscoa, convido todos os diocesanos a acolher a vida nova, a alegria e a paz que Jesus Ressuscitado nos concede. Animados pelo Espírito, caminharemos juntos, renovando o sonho de construir uma Igreja mais pascal, fraterna e acolhedora e assumiremos com entusiasmo o compromisso de comunicar ao mundo uma mensagem de autêntica esperança.

Votos de Santa Páscoa.
Jesus Ressuscitado conceda a todos as suas bênçãos.

Vila Real, 21 de março de 2024
+António Augusto de Oliveira Azevedo
Bispo de Vila Real

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