Cinema é luta de classe e não adianta fingir que a gente não está na disputa, diz Gero Camilo
O cinema brasileiro precisa ser cada vez mais descentralizado, e isso não se resume à direção. A leitura é de Gero Camilo, ator e poeta cearense, em participação no programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato.
“É preciso descentralizar equipes inteiras, ampliar a diversidade de profissionais na área. E, principalmente, os elencos. Durante muito tempo, mesmo diretores nordestinos preferiam trabalhar com atores do sudeste, porque os associavam à fama, como se isso desse mais legitimidade às suas obras. Romper com isso é necessário”, afirma Camilo. “Tem uma questão que não dá para ignorar: cinema é luta de classe. Não adianta tanta gente fingir que a gente não está disputando um instrumento de arte que durante muito tempo foi feito por uma elite branca e sudestina”.
Para o ator, além de políticas culturais de descentralização, o caminho para a democratização do cinema também passa por ocupar espaços. “Muitas vezes isso vem da persistência no cinema independente, da capacidade de tomar conta das próprias narrativas”, diz.
Camilo interpreta o protagonista Tunico em “Papagaios”, de Douglas Soares, atualmente em…

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