O medo como força política: violência, percepção de insegurança e voto no Brasil
A violência ocupa um lugar singular na vida social brasileira. Ela não é apenas um fenômeno mensurável por estatísticas criminais, mas uma experiência difusa, que atravessa o cotidiano e reorganiza a percepção do mundo social.
Esse duplo caráter – ao mesmo tempo objetivo e subjetivo – é fundamental para compreender seu impacto político. Os dados indicam melhora relativa nos últimos anos, mas a sensação de insegurança permanece elevada e, em muitos casos, se intensifica.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 46.328 mortes violentas intencionais em 2024, com taxa aproximada de 21,7 homicídios por 100 mil habitantes. Trata-se de uma redução significativa em relação ao pico de 2017, quando os homicídios ultrapassaram 65 mil.
Ainda assim, o Brasil permanece entre os países mais violentos do mundo fora de contextos de guerra, inserido em uma região que concentra cerca de um terço dos homicídios globais, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime/UNODC, na sigla em inglês: United Nations Office on Drugs and Crime.
O dado central não é apenas a existência da violência, mas…

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