Crescimento econômico sem distribuição de renda: a desigualdade como estrutura do Brasil
O custo de vida elevado, o crédito caro e o endividamento das famílias — analisados no artigo anterior — não são fenômenos isolados. Eles se inserem em uma característica mais profunda da sociedade brasileira: sua estrutura altamente desigual.
É ela que explica por que avanços relevantes — como a queda do desemprego e a elevação da renda — não se traduzem, de forma proporcional, em bem-estar generalizado. O crescimento econômico ocorre, mas seus efeitos se distribuem de maneira assimétrica, preservando a estrutura social que organiza o país.
Segundo dados do Banco Mundial, o Brasil mantém um índice de Gini em torno de 0,518 (sendo 0 igualdade perfeita e 1 desigualdade máxima), permanecendo entre as sociedades mais desiguais do mundo. Estimativas baseadas em dados tributários indicam que o 1% mais rico concentra cerca de 25% a 30% da renda nacional.
Esses números não expressam apenas uma desigualdade elevada, mas uma forma específica de organização social, que se reproduz de maneira persistente ao longo do tempo.
Mudança sem transformação estrutural
A manutenção histórica da desigualdade no país não…

Deixe um comentário