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Diálogo estético

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Foi em uma retrospectiva da artista portuguesa Paula Rego, organizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2011, que a brasileira Adriana Varejão percebeu haver, entre suas narrativas visuais, um encontro significativo.

Seis anos depois, as obras de ambas foram colocadas lado a lado pela Galeria Fortes­ D’Aloia & Gabriel, no Rio de Janeiro.

A experiência alimentou nelas a vontade­ de aprofundar esse diálogo, que se materializou apenas após a morte de Paula, na exposição Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os Vossos Dentes, apresentada no Centro de Arte Moderna Gulbenkian, em Lisboa, em 2025.

A exposição, que reuniu tanto trabalhos emblemáticos quanto obras menos conhecidas das duas artistas, comprovou aquilo que Adriana intuiu há 15 anos.

Agora, para o público brasileiro, Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os Vossos Dentes chega em forma de livro (Cobogó e Lenz, 152 págs., 168 reais).

O volume segue a organização utilizada no espaço cultural lisboeta e, além de trazer imagens, como um catálogo, inclui o registro de um diálogo entre Adriana e Paula e outro entre Adriana e os curadores, além de textos analíticos.

Paula nasceu 29 anos antes de Adriana, em Portugal, durante a ditadura de António Salazar. Nos anos 1950, estudou na prestigiosa Slade School of Art, em Londres.

Adriana nasceu no Rio de Janeiro, também sob a ditadura. Sua formação se deu na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Como observa Raphael Fonseca em um dos textos, a exposição estabeleceu “uma conversa temporária no mesmo espaço arquitetônico entre duas artistas mulheres que tiveram (…) suas juventudes atravessadas por regimes ditatoriais”.

Não é, portanto, por acaso que, embora por caminhos estéticos distintos, ambas representem, em suas criações, diferentes tempos históricos e retratem, de forma entrelaçada, a violência e o prazer. •

n° 1409 de CartaCapital, em 22 de abril de 2026.

na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Diálogo estético’


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